Cinemateca realiza 1ª edição da mostra.doc

A Cinemateca Catarinense e a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD), da qual a Cinemateca é representante em Santa Catarina, convidam para a mostra.doc.

Serão 3 dias de exibições com 2 sessões por dia em que 16 filmes de curta, média e longa-metragem, relevantes representantes da produção catarinense, serão exibidos durante a mostra – o média baiano Manhã Cinzenta (1969) é o único representante de outro estado. As sessões serão seguidas de palestras ministradas por documentaristas locais e tratarão das diferentes abordagens e linguagens adotadas nos filmes exibidos, relacionando-os aos conceitos do gênero. A Mostra.doc pretende estimular a análise crítica de obras cinematográficas. O evento é parte da celebração do Dia do Documentário – 7 de agosto – que homenageia o cineasta baiano Olney São Paulo. O Dia do Documentário, instituído pela ABD em 2011, tem o intuito de destacar a importância do gênero e estimular sua visibilidade, resgatando a obra de importantes documentaristas e reunindo os agentes envolvidos na produção e difusão. A data é celebrada em todo o país por ações promovidas pelas ABDs nos estados em que atuam.

A mostra.doc acontece no Museu da Escola de Santa Catarina, no centro de Florianópolis, entre os dias 22 e 24.08 com sessões às 15h e 19h. A entrada é livre.

PROGRAMAÇÃO

22/08/2011, segunda-feira

15h:
Mocotó no Morro (Oficina de Documentário do 10º Catavídeo)
|SC|17’|2008|
Durante o preparo de um mocotó, Seo Manoel, Dona Cinéia, Dona Dete e a Dona Luci contam histórias do lugar onde vivem, que não por acaso também leva o nome de Mocotó. Este filme é resultado da Oficina de Documentário oferecida pelo 10º Catavídeo e ministrada por Iur Gomez e Bob Barbosa.

Maciço (Pedro MC)
|SC|77’|2009|
Maciço é um documentário produzido em Florianópolis, que tem como tema a vida, as expectativas e, principalmente, a voz dos moradores de 17 comunidades do Maciço do Morro da Cruz, localizadas na região central da capital. É o retrato de uma Florianópolis que ninguém vê, a não ser os próprios moradores de suas vielas e ruas que não têm nome.

Duração da sessão: 94’
Palestrante: Zeca Pires

19h:
Farra do Boi (Zeca Pires e Norberto Depizzolat)
|SC|25’|2007|
Documentário sobre a brincadeira com o boi, típica do litoral de Santa Catarina. É composto de quatro partes: “Origens”, “Preparativos”, “Tribunal” e “Farra” que conta e mostra a história desta manifestação cultural trazida para o estado pelos imigrantes açorianos, no século XXVIII.

Espírito de porco (Chico Faganello e Dauro Veras)
|SC|52’|2009|
Para defender sua espécie das difamações lançadas contra ela ao longo de séculos, um porco recém abatido volta à terra, na condição de espírito. O Espírito de Porco defende os suínos narrando a sua trajetória, desde o nascimento num estado do Sul do Brasil que tem uma das maiores concentrações de porcos do mundo, até quando a sua carne vai para a mesa. Ele discute a alimentação e a poluição; apresenta os humanos com quem convive e os problemas do seu cotidiano; defende o seu valor e busca semelhanças com as pessoas. E, na sua curta vida, revela algo que quase nunca é levado em conta: o ponto de vista do porco sobre a sua realidade. Esse ponto de vista nega, com veemência, que a sua espécie seja responsável pela poluição e pelas crises da suinocultura industrial, e deixa claro que os humanos têm uma responsabilidade maior pelas desgraças.

Duração da sessão: 77’
Palestrante: Kátia Klock

23/08/2011, terça-feira

15h – Sessão Curtas:
O Jardineiro e o Pirata (Patrícia Monegatto e Stella Bloss)
|SC|15’|2010|
O que levaria um jardineiro a procurar tesouros escondidos há mais de 300 anos? Nildo e Capitão Carontti são dois perosnagens em um. Um destino traçado “pelas coordenadas do além”.

Vou-me Embora Protestando (Carolina Coral e Mariana Costa Lima)
|SC|10’|2006|
O documentário procura sintetizar os momentos mais duros da ditadura na cidade por intermédio do testemunho de protagonistas. Gerônimo Machado, militante do partido Comunista, atuou em várias frentes estudantis. Telma Piacentini também lutou junto com os jovens pela liberdade de expressão artística e pela democracia nas universidades. Maria Rita Bessa, viúva do ex-militante e deputado estadual Roberto Motta – personagem importante na luta da resistência – atuou no movimento feminino pela anistia. E Manoel Dias, líder estudantil e vereador aos 18 anos teve seu mandato cassado após o golpe em 1964.

O cheiro do peixe (Oficina de Documentários do 9º Catavideo 2007)
|SC|6’|2007|
Este filme é resultado da Oficina de Documentário oferecida pelo 9º Catavídeo e ministrada por Iur Gomez e Juan Malion Zoppi.

Cerveja Falada (Demétrio Panarotto, Guto Lima e Luiz H. Cudo)
|SC|15’|2010|
Os personagens desse documentário são Rupprecht Loeffler e sua cervejaria, a Canoinhense. Um trabalho de resgate de parte da memória de um cidadão, que em 2010 completou 93 anos de idade. Sr. Loeffler atravessou e acompanhou as movimentações do século XX, mas conseguiu manter o tempo parado dentro de sua cervejaria. Uma vida dedicada a paixão pelo trabalho e a manutenção de uma tradição familiar.

Foto Sensível (de Kike Kreuger)
|SC|9’|2010|
O ato de filmar é uma prática que esteve presente na minha família desde a década de 40, tendo início com meu avô e sua primeira câmera 16 milímetros. Imagens amadoras filmadas por gerações anteriores a minha, dão origem à um documentário que permite identificar e refletir sobre uma memória coletiva, pensando a imagem como uma ilusão capaz de guardar o tempo.

Sob o céu de Joinville (Rodrigo Falk Brum)
|SC|15’|2008|
Inspirado em obra como Berlim – Sinfonia de uma metrópole, Um Homem com uma Câmera e a trilogia Qatsi, o documentário curta-metragem Sob o Céu de Joiville apresenta o passar de um dia na cidade, através de momentos peculiares e triviais de um cotidiano. Em linguagem que não segue os moldes do documentarismo comum, a narrativa se estabelece na relação entre a montagem cinematográfica e a música, com uma trilha sonora original e sem locução ou diálogos.

Duração da sessão: 70’
Palestrante: Chico Caprário

19h:
Histórias de Cinema (Chico Caprário)
|SC|46’|2009|
Histórias de Cinema mistura linguagem do documentário e da ficção. Uma série informativa, emocionante e divertida que mostra uma visão diferente sobre a aventura de fazer cinema em Santa Catarina. Cineasta e ator, Chico Caprario exibe visual de acordo com cada período da história e descobre fatos e artistas pouco comentados na historiografia oficial do cinema catarinense.

O filme que ninguém viu (Marco Stroisch)
|SC|47’|2002|
O preço da ilusão é fruto da iniciativa audaciosa de um grupo de jovens que ousou produzir o primeiro filme de Santa Catarina. O filme mobilizou toda a população, sensibilizou o empresariado e uniu forças políticas adversas para um único fim: levar Florianópolis às telas de cinema. O documentário recria através de depoimentos da equipe os inúmeros casos que cercaram o filme, da produção conturbada à tentativa frustrada de se fazer uma segunda montagem, passando pela divertida noite da pré-estréia, sua breve exibição no cinema e na televisão, a repercussão e as críticas. O preço da ilusão foi um fracasso do ponto de vista cinematográfico, porém, constituiu um registro histórico de valor imensurável da história catarinense. A película retratou uma Florianópolis que não existe mais, que fora completamente transformada com a ação do tempo. Mostrou o comportamento, a maneira de falar, os costumes da sua gente.  Um passado perdido. Inexplicavelmente, seus negativos e cópias desapareceram. Restaram apenas os sete minutos finais e um turbilhão de informações que se confundem entre a realidade e a ficção.

Duração da sessão: 93’
Palestrante: Iur Gomez

24/08/2011, quarta-feira

15h:
Lurdinha – A vendedora de ilusões (César Cavalcanti)
|SC|26’|2007|
Ilha de Santa Catarina, Florianópolis. Lurdinha, uma mulher de aproximadamente 40 anos, vestida elegantemente, vende bilhetes de loteria no centro da cidade. Uma abordagem poética conduzida pelos relatos do cotidiano de Bernardo Soares, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, sobre a importância de personagens que poderiam ficar no anonimato, mas que se tornam um elo entre a vida privada e coletiva da população urbana. O documentário enfoca, acima de tudo, a arte de viver da personagem que fez de “sua sorte” um exercício de criatividade e prazer.

Olhar de um cineasta (César Cavalcanti)
|SC|75’|2007|
Aspectos da vida e obra do cineasta catarinense Marco Faria recriam sua trajetória regional e nacional, utilizando-o como interlocutor para a interpretação do pensamento de uma época. Cenas de seus filmes e entrevistas com personalidades, que, como ele, participaram do movimento Cinema Novo, discutem a prática cinematográfica do antes e do agora.

Duração da sessão: 101’
Palestrante: Pedro MC

19h:
Manhã Cinzenta (Olney São Paulo)
|BA|21’|1969|
Manhã cinzenta aborda um golpe de estado num país imaginário da América Latina, no qual os estudantes assumem o poder. O filme aborda de maneira pioneira a questão do movimento estudantil no Brasil em 1968. Foi a primeira produção brasileira a ganhar o prêmio Obernhausen, na Alemanha Oriental.

Impasse (Fernando Evangelista e Juliana Krouger)
|SC|50’|2010|
Em maio e junho de 2010, milhares de pessoas foram às ruas de Florianópolis para protestar contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. Além de cenas que não foram exibidas em nenhum tevê, incluindo flagrantes de violência durante os atos públicos, Impasse revela o que pensam usuários, trabalhadores, especialistas e empresários do transporte.

Duração da sessão: 71’
Palestrante: César Cavalcanti


SOBRE OS PALESTRANTES

Zeca Pires
Zeca Pires é um dos profissionais com produção cinematográfica mais representativa de Santa Catarina. Dirigiu diversos filmes, entre os quais destacam-se o curta-metragem Manhã(1989) e o documentário Farra do Boi(1991), ambos co-direção com Norberto Depizzolatti; Ponte Hercílio Luz – Patrimônio da Humanidade (1996); Bois em Farra (1996); Festa do Divino, Tradição de Fé (1998) e Ilha (2001). Produziu filmes de Penna Filho e Maria Emília de Azevedo e foi assistente de direção de diretores como Cacá Diegues e Sylvio Back. Seu primeiro longa-metragem Procuradas (2004), dirigido em parceria com José Frazão, foi selecionado para a Mostra Oficial do Festival de Cinema de Gramado. Em 2011 lança o longa-metragem A Antropóloga, projeto premiado pelo Edital Cinemateca Catarinense em 2006. É doutor em Cinema Digital, um dos fundadores da Cinemateca Catarinense/ABD-SC, co-autor do livro “O Cinema em Santa Catarina” (1987) e diretor do Departamento Artístico Cultural da UFSC.

Kátia Klock:
Kátia Klock é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Trabalha há 21 anos com produção audiovisual e editorial. Atua como documentarista, diretora e roteirista de programas de TV. Atualmente dirige o CurtaDoc, programa em exibição no SESCTV e também um catálogo online de documentários. É diretora de conteúdo da Contraponto.

Chico Caprario:
Operário do cinema, trabalha nas áreas de direção, produção de roteiro e ator em Florianópolis desde 1997 com ficção e documentário.  Seus trabalhos mais relevantes foram Sorria você está sendo filmado (diretor/roteirista/ator), Pescador de Sonhos (produtor) e Histórias de Cinema(diretor/co-roteirista/ator).

Iur Gomez:
Iur Gomez é roteirista e documentarista, dirigiu Paulo Companheiro João (2005) e Dyckias – tempos de extinção (2006), ambos prêmios DocTV, Milongas para Manhãs de Outono e Imensidão (em fase de produção) e S. Gentil do Orocongo (em finalização). Foi presidente do Funcine e atualmente preside a Cinemateca Catarinense.

Pedro MC:
Pedro MC é produtor cultural e desenvolve projetos multimídia e de audiovisual. Participou da diretoria do Fórum Cultural de Florianópolis, do Sintracine e da Cinemateca Catarinense. Produziu o Cine Maciço – finalista do Prêmio Cultura Viva do Ministério da Cultura – e o Cine Pitangueira, cineclube do programa Cine Mais Cultura. Trabalha como produtor em festivais e mostras como o Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) e a Mostra Latino-Americana de Animação A Caverna. Deu aula de Cinema Digital / Documentário no Departamento Artístico Cultural da UFSC. Escreveu, produziu e dirigiu diversos vídeos entre eles o documentário de longa-metragem Maciço, premiado no Edital Catarinense de Cinema e Entrelinhas, do Prêmio Armando Carreirão do Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis.

Cesar Cavalcanti:
Cesar Cavalcanti atua no cinema desde 1963. Trabalhou nas diversas áreas que envolvem a Direção e a Produção Cinematográfica, tendo colaborado com a realização de mais de 50 filmes. Ministrou cursos de formação profissional no Instituto Nacional de Cinema de Moçambique e na Embrafilme. Dirigiu e produziu Além do Samba, a Resistência Afro-brasileira (2005); Lurdinha, a Vendedora de Ilusões (2006/7), premiado no Catarina Festival de Documentário e no 11º FAM e Olhar de um Cineasta (2007), realizado por meio do Sistema Estadual de Incentivo à Cultura de Santa Catarina.

SERVIÇO

O que? Mostra.doc
Quando? 22.08 a 24.08, a partir das 15h
Onde? Museu da Escola de Santa Catarina – Rua Saldanha Marinho, 196, Centro, Florianópolis, SC
Quanto? entrada franca

A mostra.doc é uma realização da Cinemateca Catarinense ABD/SC e da ABD Nacional, com apoio do Fundo Municipal de cinema FUNCINE e Museu da Escola de Santa Catarina.

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