FAM 2012 COMEÇA COM HOMENAGEM ESPECIAL A NELSON PEREIRA DOS SANTOS

O FAM 2012, que será realizado de 15 a 22 de junho, começa já nesta segunda-feira, dia 11. Em parceria com a Academia Catarinense de Letras, que inaugurou recentemente sua nova sede no centro de Florianópolis, está promovendo a Mostra Homenagem Nelson Pereira dos Santos, de 11 a 13 de junho.

Os filmes escolhidos do cineasta brasileiro estão entre os 19 de sua filmografia restaurados pela Petrobras. Três deles serão exibidos na Academia, sempre às 15 horas, e outros três no Teatro da UFSC, às 19 horas. Na exibição realizada na Academia, participarão estudantes do Ensino Médio de escolas públicas da região central da cidade.

Além dessa homenagem, o FAM 2012 exibirá 84 filmes de vários países e trará para Florianópolis um feito raro: o lançamento nacional do mais recente filme de Nelson Pereira dos Santos, A Luz do Tom, documentário sobre o músico Tom Jobim, onde o cineasta incluiu cenas de Florianópolis, feitas em 2008.

FILMES NA ACADEMIA DE LETRAS

Na Academia Catarinense de Letras, os três filmes são adaptações de clássicos da literatura brasileira. Com a presença de alunos de várias escolas, a mostra começa nesta segunda-feira, 11, com Azyllo Muito Louco (1969, 83’), primeiro filme a cores do diretor, uma livre adaptação do conto “O Alienista”, de Machado de Assis. Numa província à beira-mar, no século 19, o padre Simão Bacamarte (Nildo Parente) constrói um sanatório, onde acaba internando quase toda a população e irritando os poderosos do lugar.

Azyllo foi rodado em Parati, onde Nelson e sua equipe se refugiaram, enquanto boa parte dos diretores do Cinema Novo eram obrigados a se retirar do país. Com metáforas e mensagens nas entrelinhas, o filme procura traduzir a situação política e cultural do Brasil nos anos da ditadura. Com Nildo Parente, Isabel Ribeiro, Arduíno Colassanti, Irene Stefânia, Leila Diniz.

Na terça, 12, será exibido o filme Vidas Secas (1963, 105’), baseado no livro de Graciliano Ramos. Obra-prima do diretor e um marco no cinema brasileiro, foi indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes 1964 e vencedor do prêmio OCIC daquele ano. É o drama de uma família de retirantes da seca no Nordeste: o pai Fabiano (Átila Iório), a mãe Sinhá Vitória (Maria Ribeiro), seus dois filhos e a cadela Baleia, em busca de melhores condições. Fabiano, personagem singular, de poucas palavras, vive o conflito entre se vingar de um soldado que lhe deu uma surra de facão e tornar-se cangaceiro ou conduzir a família na luta cotidiana pela sobrevivência.

Filmado em Alagoas, em 1962, numa ótica realista, expressa o isolamento e a desesperança do povo nordestino. A narrativa é feita de planos longos, com uma fotografia que explora a intensidade do sol do Nordeste, sem trilha sonora e diálogos curtos e breves, próprios dos habitantes da caatinga.

Na quarta-feira, será a vez de Tenda dos Milagres (1977, 1h32’), primeira adaptação de Nelson de um livro de Jorge Amado. No início do século XX, Pedro Archanjo é um Ojuobá (que significa olhos de Xangô), mulato, capoeirista, tocador de violão, pai de numerosos filhos e bedel da Faculdade de Medicina da Bahia, que defendia os direitos dos negros e mestiços. Com Hugo Carvana, Sonia Dias, Anecy Rocha, Jards Macalé e participações especiais, entre elas de Mãe Menininha do Gantois e seu terreiro.

FILMES NO TEATRO DA UFSC

No Teatro da UFSC, a mostra inicia com O Amuleto de Ogum (1974, 1h17’), filme com uma visão antropológica, sem precoceitos, da religiosidade popular. Um violeiro cego conta a história de Tenório, homem que fica com o corpo fechado depois de um ritual de umbanda. Depois de elaborar uma forma de provar publicamente que tinha mesmo o corpo fechado, torna-se um mito e passa a ser contraventor na Baixada Fluminense. Com Jofre Soares, Anecy Rocha, Ney Sant’Anna, Maria Ribeiro, Jards Macalé.

Estrada da Vida (1979, 1h04’), é um filme com apelo mais popular. Na biografia romanceada da dupla sertaneja Milionário e José Rico, o diretor resgata a cultura da música caipira do interior de São Paulo, estilo do qual seu pai gostava. No filme, os dois chegam a São Paulo para trabalhar como pintores na construção civil, mas também para tentar a vida artística. São cantores e compositores e decidem formar uma dupla sertaneja que aos poucos conquista o sucesso.

Para terminar a mostra, o clássico Memórias do Cárcere (1984, 2h25’), um reencontro de Nelson Pereira dos Santos com a obra de Graciliano Ramos. O ator Carlos Vereza vive Graciliano, na época em que ele esteve preso sob ordens da polícia do Estado Novo no Brasil. Em Cannes, naquele ano, ganhou o prêmio da crítica internacional, vencendo também o Festival de Havana e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. Neste último, Carlos Vereza também recebeu o prêmio de melhor autor.

Lançado na época em que o Brasil vivia o movimento pelas Diretas Já, o filme marca um dos pontos altos da carreira do diretor. “A primeira intenção ao fazer Memórias foi mostrar o que significa viver sob uma ditadura, uma advertência , antes que ela acontecesse. Mas os golpistas foram mais rápidos. Por isso Memórias ficou para depois da ditadura”, disse o diretor.

SERVIÇO:

Mostra Homenagem Nelson Pereira dos Santos

Academia Catarinense de Letras (Av. Hercílio Luz, 523, Centro, Florianópolis), às 15 horas

11/06 – Azyllo Muito Louco

12/06 – Vidas Secas

13/06 – Tenda dos Milagres

Teatro da UFSC, às 19 horas

11/06 – O Amuleto de Ogum

12/06 – Estrada da Vida

13/06 – Memórias do Cárcere

Entrada gratuita.

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