7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Por Larissa Cabral.

Confira a programação do evento, que acontece do dia 3 ao dia 8 de dezembro, e a entrevista com o curador da mostra, Chico Cesar Filho

A celebração do aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, traz a Florianópolis documentários e filmes premiados e inéditos no Brasil. A sétima edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul se destaca pela programação abrangente, gratuita e inclusiva, pois contará com acessibilidade a pessoas com deficiência em todos os locais e sessões com sistema de audiodescrição e closed caption, voltadas a deficientes visuais e auditivos.

A mostra acontece nos meses de novembro e dezembro, em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, com 37 filmes, representando oito países da América do Sul. Em Florianópolis (SC), as exibições serão realizadas do dia 3 ao dia 8 de dezembro, no auditório do CESUSC (veja a programação abaixo), com entrada franca, nos períodos da manhã, tarde e noite. Serão disponibilizados 240 lugares, mais cinco para cadeirantes e a sessão de abertura terá início às 19h, no dia 3.

O homenageado da mostra em 2012 é o brasileiro Eduardo Coutinho, considerado em todo o mundo um dos mais importantes documentaristas da atualidade. Seu trabalho é reconhecido pela sensibilidade e pela capacidade de ouvir o outro, registrando sem sentimentalismos as emoções e aspirações das pessoas comuns. A mostra também tem como objetivo criar espaços para que produtores e demais profissionais do cinema possam divulgar seus trabalhos relacionados aos Direitos Humanos.

Os elencos das obras destacam Denise Fraga, Simone Spoladore, Bruno Perillo, Antonio Petrim, Caio Blat, Daniel de Oliveira, Cássio Gabus Mendes e Ângelo Antônio. Entre as produções brasileiras, destaca-se a temática da Lei Maria da Penha, que inspira dois filmes. O evento é promovido pelo Ministério da Cultura, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e Petrobras.

A iniciativa conta com apoio do Ministério das Relações Exteriores, da TV Brasil, da Sociedade Amigos da Cinemateca e do Sesc. As obras mais votadas pelo público serão contempladas com o Prêmio Exibição TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. A programação tem curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho.

Para mais informações, ligue (48) 3239.2600/(48) 9135 0599 ou acesse http://www.cinedireitoshumanos.org.br.

SERVIÇO

O quê: 7ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos em Florianópolis

Quando: 3 a 8 de dezembro (diversos horários)

Onde: Auditório CESUSC (Rod. SC 401 / Km 10 – Trevo Sto. Antônio de Lisboa)

ENTRADA FRANCA

Confira a programação de Florianópolis para a da 7ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, após a entrevista com o curador da Mostra, Francisco Cesar Filho.

Desacato – O que as obras latino-americanas, que abordam temas relacionados aos direitos humanos, apresentam como diferencial se comparadas ao cinema produzido em outras partes do globo?

Chico – A cinematografia sul-americana, que é objeto do festival, e a latino-americana, de forma geral, exibem um diferencial em relação à produção cinematográfica de outras longitudes: a maioria dos filmes abordam, em maior ou menor grau, aspectos das sociedades nas quais estão inseridos. Assim, a sociedade, a cultura ou a economia, por exemplo, resultam impregnadas nessas obras, de modo que várias temáticas ligadas aos direitos humanos estão, implícita ou explicitamente, presentes na criação audiovisual latino-americana.

D – De que forma a sétima arte pode contribuir para a discussão sobre os direitos humanos?

C – Essa é exatamente uma das apostas da mostra: acreditamos que a chamada sétima arte estabelece uma relação com o grande público, na qual o imaginário ocupa um lugar tão importante quanto a descrição objetiva de fatos. Para nós, a circulação de filmes nos seus mais diversos gêneros (não só documentários, mas também dramas, comédias e animações) tem potencial de atrair a atenção do amante de cinema e a explicitação dos links, com os diversos direitos humanos, traz a possibilidade de provocar no espectador a reflexão sobre o assunto.

D – Estamos na sétima edição do evento. Quais evoluções foram percebidas, ao longo das edições?

C – Em sete edições, a mostra ampliou consideravelmente seu circuito de exibição e, consequentemente, seu público. Iniciamos em quatro cidades e hoje atingimos as 27 capitais brasileiras. A programação também foi aprimorada, contando com títulos de interesse do público, assinados por diretores de prestígio, vários deles inéditos nas salas comerciais brasileiras.

D – Como você vê o tratamento dado pelos diversos tipos de mídia aos direitos humanos, atualmente, no Brasil? O que pode ser considerado uma conquista e onde podemos melhorar?

C – O principal desafio dos direitos humanos no país continua o mesmo: o entendimento distorcido do que estão relacionados exclusivamente à violência policial e carcerária e à perseguição política. Na verdade, são os direitos de todo e qualquer ser humano: educação, alimentação e meio ambiente saudável, além dos direitos da mulher, da população de rua, da pessoa idosa, da criança e do adolescente, dos povos originários etc. Nesses sete anos, é possível perceber certos avanços nessa percepção, mas estamos ainda muito longe do ideal, lamentavelmente.

D – A falta de acessibilidade pode ser considerada um obstáculo para a disseminação da cultura?

C – A acessibilidade é um pré-requisito para as salas estarem no circuito de exibição do evento, existindo pouca dificuldade em relação a este aspecto. Recordo que, em edições anteriores, chegaram a construir uma rampa em uma sala de Manaus, por iniciativa da mostra. Já o closed-caption e a audiodescrição (em sessões específicas) são de responsabilidade do evento, as salas apenas os recebem. Sobre a acessibilidade, a legislação atual já contempla essa questão, democratizando inclusive atividades e fruição cultural.

D – Há alguma temática relacionada aos direitos humanos que ainda precisa ser melhor abordada ou que quase não se fala sobre por ser um tabu ou algo assim?

C – A questão da diversidade sexual e dos direitos da população GLBT é sensível e provoca reações, não raras vezes, virulentas – mas, aqui mais uma vez, avanços são perceptíveis.

 Foto: Divulgação

PROGRAMAÇÃO – Florianópolis

03/12 – SEGUNDA-FEIRA
-19h – Sessão de Abertura
O Cadeado – Leon Sampaio (Brasil, 12 min., 2012, fic.)
A Galinha que Burlou o Sistema – Quico Meirelles (Brasil, 15 min., 2012, doc./fic.)
Menino do Cinco – Marcelo Matos de Oliveira, Wallace Nogueira (Brasil, 20 min., 2012, fic.)
A Fábrica – Aly Muritiba (Brasil, 16 min., 2011, fic.)
Classificação indicativa: 12 anos

04/12 – TERÇA-FEIRA
– 09h
Batismo de Sangue – Helvécio Ratton (Brasil, 110 min., 2006, fic.)
Classificação indicativa: 14 anos
– 14h
O Garoto que Mente – Marité Ugás (Venezuela, 99 min., 2011, fic.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 16h
Menino do Cinco – Marcelo Matos de Oliveira, Wallace Nogueira (Brasil, 20 min., 2012, fic.)
Maria da Penha: um Caso de Litígio Internacional – Felipe Diniz (Brasil, 13 min., 2011, doc.)
Silêncio das Inocentes – Ique Gazzola (Brasil, 52 min., 2010, doc.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 19h
Marighella – Isa Grinspum Ferraz (Brasil, 100 min., 2012, doc.)
Classificação indicativa: 10 anos

05/12 – QUARTA-FEIRA
– 09h
Disque Quilombola – David Reeks (Brasil, 14 min., 2012, doc.)
Vestido de Laerte – Claudia Priscilla, Pedro Marques (Brasil, 13 min., 2012, fic.)
A Galinha que Burlou o Sistema – Quico Meirelles (Brasil, 15 min., 2012, doc./fic.)
O Veneno Está na Mesa – Silvio Tendler (Brasil, 50 min., 2011, doc.)
Classificação indicativa: 10 anos
– 14h
Estruturas Metálicas – Cristian Vidal L. (Chile, 47 min., 2011, doc.)
Saia se Puder – Mariano Luque (Argentina, 66 min., 2012, fic.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 16h
Elvis & Madona – Marcelo Laffitte (Brasil, 105 min., 2010, fic.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 19h
Com o Meu Coração em Yambo – María Fernanda Restrepo (Equador, 137 min., 2011, doc.)
Classificação indicativa: 10 anos

06/12 – QUINTA-FEIRA
– 09h
Sessão de Audiodescrição
Extremos – João Freire (Brasil, 24 min., 2011, doc.)
À Margem da Imagem – Evaldo Mocarzel (Brasil, 72 min., 2003, doc.)
Classificação indicativa: 10 anos
– 14h
Porcos Raivosos – Isabel Penoni, Leonardo Sette (Brasil, 10 min., 2012, fic.)
O Cadeado – Leon Sampaio (Brasil, 12 min., 2012, fic.)
Dez Vezes Venceremos – Cristian Jure (Argentina, 75 min., 2011, doc.)
Classificação indicativa: 16 anos
– 16h – Sessão de Audiodescrição
Santo Forte – Eduardo Coutinho (Brasil, 80 min., 1999, doc.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 19h
A Fábrica – Aly Muritiba (Brasil, 16 min., 2011, fic.)
Hoje – Tata Amaral (Brasil, 87 min., 2011, fic.)
Classificação indicativa: 14 anos

07/12 – SEXTA-FEIRA
– 09h
Justiça – Andrea Ruffini (Bolívia / Itália, 34 min., 2010, doc.)
Último Chá – David Kullock (Brasil, 97 min., 2012, fic.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 14h
Cabra Marcado para Morrer – Eduardo Coutinho (Brasil, 119 min., 1984, doc.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 16h
Juanita – Andrea Ferraz (Brasil, 8 min., 2011, doc.)
O Dia que Durou 21 Anos – Camilo Tavares (Brasil, 77 min., 2012, doc.)
Classificação indicativa: 10 anos
– 19h
O Fio da Memória – Eduardo Coutinho (Brasil, 115 min., 1991, doc.)
Classificação indicativa: livre

08/12 – SÁBADO
– 14h
Olho de Boi – Diego Lisboa (Brasil, 19 min., 2011, fic.)
Funeral à Cigana – Fernando Honesko (Brasil, 15 min, 2012, fic.)
Carne, Osso – Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros (Brasil, 65 min., 2011, doc.)
Classificação indicativa: 12 anos
– 16h
Cachoeira – Sérgio Andrade (Brasil, 14 min., 2010, fic.)
Classificação indicativa: 16 anos
– 19h
Virou o Jogo: A História das Pintadas – Marcelo Villanova (Brasil, 15 min., 2012, doc.)
Chocó – Jhonny Hendrix Hinestroza (Colômbia, 80 min., 2012, fic.)
Classificação indicativa: 16 anos
– 21h
Uma, Duas Semanas – Fernanda Teixeira (Brasil, 17 min., 2012, fic.)
A Demora – Rodrigo Plá (Uruguai / França / México, 84 min., 2012, fic.)
Classificação indicativa: 10 anos

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