Matéria no Notícias do Dia sobre a presidente da Cinemateca

13-04-2013-13-30-34-presidente-da-cinemateca-carol-marins-foto-debora-klempous-12.04-3-Com um discurso direto, crítico e principalmente muito elegante, a produtora audiovisual Carol Marins, 32, causou desconforto às autoridades presentes na solenidade de assinatura dos contratos dos contemplados com o Edital Catarinense de Cinema (edição 2011-2012), na última quinta-feira, em Florianópolis – evento atrasado em pelo menos cinco meses. Provocou também aplausos e “uhus” da plateia ao discordar da maneira como o cinema e todo o setor cultural vêm sendo deixado à margem das prioridades dos governos estadual e municipal em Santa Catarina.

Assunto quente nas rodas culturais do Estado na última semana, a liberação de 80% do total de R$ 3 milhões para os premiados com o edital já simboliza uma nova luta da classe, já que durante o evento o secretário estadual de turismo, cultura e esporte, Beto Martins, citou a próxima edição do prêmio como sendo do biênio 2013/2014. “O edital foi lançado em 2001, uma conquista para a classe. Só que de lá para cá contraria a cronologia de 12 anos. Na última quinta assinamos a oitava edição. São cinco anos que se perderam. Santa Catarina perdeu pela descontinuidade da construção de uma identidade”, lamenta a produtora.

Carol Marins assumiu em 28 de janeiro a presidência pelos próximos dois anos da Cinemateca Catarinense – ABD/SC, associação que existe desde 1986 e reúne realizadores, pesquisadores e pessoas ligadas à atividade audiovisual em Santa Catarina e é filiada à Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas e ao Congresso Brasileiro de Cinema. “A gente quer fazer certo e receber o que é justo”, resume ela, que não tem o “ranço” de uma velha guarda do cinema.

“Há uma mágoa de todo o setor cultural no que diz respeito à seriedade do poder público com relação à política cultural no Estado”, afirma a produtora, lembrando da criação há dez anos da Frente em Defesa da Cultura Catarinense. “Queremos não precisar mais usar palavras como ‘defesa’ e ‘luta’ com relação à cultura e ao governo.”

Ranço histórico com a área cultural

Segundo Carol Marins, existe um ranço histórico na relação do governo com a classe cultural. “A cultura esteve sempre à margem das prioridades. A gente se manifesta e não é ouvido”, observa. “Queremos construir uma relação saudável com os governos do Estado e do município. Queremos ter o que é de nosso direito e fazer o que é o nosso dever.”

O Edital Catarinense de Cinema, por exemplo, criado para estimular a produção audiovisual no Estado, mover o mercado e gerar empregos, sai mediante literalmente uma luta da classe. A sua descontinuidade, segundo a presidente da Cinemateca, impacta diretamente na construção de uma identidade do cinema do Estado, sem contar toda a cadeia criativa. “Esse não é o único edital, tem também o prêmio Armando Carreirão, do Funcine (Fundo Municipal de Cinema), que é um edital que funciona, mas está atrasado”, afirma Carol.

O edital do Funcine é geralmente lançado em março, mas até agora não há nenhuma informação de lançamento da edição 2013. “Estamos na expectativa. É uma gestão nova, já abrimos algumas portas junto à prefeitura para construir uma política nova do audiovisual.”

Carol estudou em Cuba

Mãe de dois filhos, Carol Marins é graduada em publicidade e em 2007 estudou na famosa EICT – Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba, por quatro meses. “O maior ganho foi entender que precisamos nos aproximar mais da América Latina. Foi experiência importante também pelo acesso a pessoas que estão no topo da cadeia, pude ter uma dimensão nosso percentual nesse processo e os caminhos para se chegar lá.”

Como produtora audiovisual, ela já produziu para TV, já atuou com captação de recursos e realização de projetos, em filmes institucionais e como produtora de longas e curta-metragens. Trabalhou também em várias edições do FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul), experiência que ela considera fundamental em sua trajetória. Ela é também membro do Conselho de Ética do Sintracine (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica e do Audiovisual) de Santa Catarina e atualmente dirige a produção do curta “A Noite”, de Rodrigo Amboni.

Publicado em 14/04-13:21 por: Carolina Moura.
Atualizado em 14/04-19:59
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